Morrer
é difícil. Não digo da parte de se jogar da ponte ou dar um tiro na própria
cabeça, não, isso é fácil. Eu digo, morrer por
dentro é difícil. Eu sempre fui muito falsa sobre quem eu sou realmente.
Você sabe disso, não é? Eu sei. Eu sempre quis passar a imagem confiante e
forte, a garota que você nunca vai achar igual: independente, determinada, sem
dramas, aquela que aceita tudo e dá risada junto. “Olhem para a minha garota,
vocês nunca vão ter uma igual”.
E por dentro morta.
Não é tudo mentira, sabe? Eu realmente tenho algo dentro
de mim que inspira coragem, eu me acho incrível, minha confiança me move a
lugares que nunca vi, a sonhos longos e doces, e me traz a realidades duras de
maneiras positivas.
Tinha que ser assim.
Há um motivo por trás.
Vai ficar tudo bem.
Eu sempre fui o melhor que pude. Eu sempre tirei o meu
para fazer o seu. Ser exemplar, doce, divertida, inteligente, admirável. Aquela
que te surpreende porquê...
Não há nenhuma garota igual.
Venho me questionando isso há um tempo. Por que não há
nenhuma outra garota igual?
Agora eu sei.
Porque não existe ninguém assim. Não vou mentir, me faz
feliz te fazer feliz. Enche meu
coração, há uma ternura muito longe do que qualquer outra coisa, eu me sinto
recompensada, orgulhosa de mim mesma, saber que eu pude dar tudo de mim para
fazer alguém feliz e... CONSEGUI! Mas, se eu tiro do meu para fazer você
feliz...
Então quem vai me fazer feliz?
Eu descobri que não há ninguém. Porque ninguém nesse mundo
faria o que eu faço, ninguém nesse mundo daria o que eu dou, ninguém morreria
por mim, como eu morro por você.
Não há ninguém.
Então a solidão bate como uma velha amiga. Mas eu percebo
que ela está do lado de dentro da minha concha.
Ela nunca saiu daqui.
Eu fechei os olhos por tantos dias, tantas vezes, dizendo
a mim mesma que eu posso... eu... só preciso ser paciente, porque um dia,
alguém vai vir e me preencher por completo, me dar o mundo que eu sempre
imaginei e mais! Só que...
Nunca... veio.
De ninguém.
Então, como eu fico agora? Em que estou morrendo por
dentro? Em que percebo que foi tudo em vão? Em que eu tenho que silenciar essa
parte minha para tentar ainda ser mais feliz... mundanamente feliz.
Eu nunca me senti parte desse mundo. Eu sempre pensei que
uma hora eu encontraria o verdadeiro motivo de eu estar aqui, eu sempre pensei
que havia algo maior, meu Deus, eu ainda penso. Porque, se não haver, o que
sobre para mim?
Eu estou me afogando.
Está frio.
Eu estou no fundo do poço, mas ainda de pé.
Até quando vou me aguentar? Até quando meus joelhos terão
forças?
Eu sou incrivelmente incompleta.
E a única pessoa que conheço que pode preencher esse vazio
sou eu mesma. Mas eu não posso fazer isso porque estou ocupada demais
preenchendo o vazio das outras pessoas.
Suas promessas não significam nada. Elas não me tocam
mais.
Estou
morrendo.


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