domingo, 28 de junho de 2015

(XI) ❝Eu morri❞

Morrer é difícil. Não digo da parte de se jogar da ponte ou dar um tiro na própria cabeça, não, isso é fácil. Eu digo, morrer por dentro é difícil. Eu sempre fui muito falsa sobre quem eu sou realmente. Você sabe disso, não é? Eu sei. Eu sempre quis passar a imagem confiante e forte, a garota que você nunca vai achar igual: independente, determinada, sem dramas, aquela que aceita tudo e dá risada junto. “Olhem para a minha garota, vocês nunca vão ter uma igual”.

E por dentro morta.

Não é tudo mentira, sabe? Eu realmente tenho algo dentro de mim que inspira coragem, eu me acho incrível, minha confiança me move a lugares que nunca vi, a sonhos longos e doces, e me traz a realidades duras de maneiras positivas.

Tinha que ser assim.
Há um motivo por trás.
Vai ficar tudo bem.

Eu sempre fui o melhor que pude. Eu sempre tirei o meu para fazer o seu. Ser exemplar, doce, divertida, inteligente, admirável. Aquela que te surpreende porquê...

Não há nenhuma garota igual.

Venho me questionando isso há um tempo. Por que não há nenhuma outra garota igual?

Agora eu sei.



Porque não existe ninguém assim. Não vou mentir, me faz feliz te fazer feliz. Enche meu coração, há uma ternura muito longe do que qualquer outra coisa, eu me sinto recompensada, orgulhosa de mim mesma, saber que eu pude dar tudo de mim para fazer alguém feliz e... CONSEGUI! Mas, se eu tiro do meu para fazer você feliz...

Então quem vai me fazer feliz?

Eu descobri que não há ninguém. Porque ninguém nesse mundo faria o que eu faço, ninguém nesse mundo daria o que eu dou, ninguém morreria por mim, como eu morro por você.

Não há ninguém.

Então a solidão bate como uma velha amiga. Mas eu percebo que ela está do lado de dentro da minha concha.

Ela nunca saiu daqui.

Eu fechei os olhos por tantos dias, tantas vezes, dizendo a mim mesma que eu posso... eu... só preciso ser paciente, porque um dia, alguém vai vir e me preencher por completo, me dar o mundo que eu sempre imaginei e mais! Só que...

Nunca... veio.

De ninguém.

Então, como eu fico agora? Em que estou morrendo por dentro? Em que percebo que foi tudo em vão? Em que eu tenho que silenciar essa parte minha para tentar ainda ser mais feliz... mundanamente feliz.

Eu nunca me senti parte desse mundo. Eu sempre pensei que uma hora eu encontraria o verdadeiro motivo de eu estar aqui, eu sempre pensei que havia algo maior, meu Deus, eu ainda penso. Porque, se não haver, o que sobre para mim?



Eu estou me afogando.

Está frio.

Eu estou no fundo do poço, mas ainda de pé.

Até quando vou me aguentar? Até quando meus joelhos terão forças?

Eu sou incrivelmente incompleta.

E a única pessoa que conheço que pode preencher esse vazio sou eu mesma. Mas eu não posso fazer isso porque estou ocupada demais preenchendo o vazio das outras pessoas.

Suas promessas não significam nada. Elas não me tocam mais.


Estou morrendo.