Antes de começar a
escrever essa carta eu digitei no YouTube “Last Goodbye” da minha banda
favorita, Neverstore, para ouvir enquanto digitava à respeito dos meus
sentimentos, porém, ao ouvir os primeiros dez segundos eu desisti, não só
porque não é uma das minhas músicas favoritas mas também porque, já que agora
eu sigo meu coração, eu quero ouvir Paraíso
Perdido da banda Strike. Engraçado né? Eu escolhi uma música de separação
para ser o som de quando me apaixonei, mas escolho uma música de amor para
falar sobre nosso fim.
“Sou
quem te faz tão bem”
Não é segredo para
ninguém que eu amo escrever cartas, para enviá-las a quem amo, presentear em
datas especiais ou, como nesse instante, escrever para nunca entrega-las,
manter escondidas em meu próprio mundo. Eu já te falei isso, já te mostrei a
caixa azul em que guardo tantos manuscritos que enderecei a você mas nunca
saíram de lá, nunca sairão no final.
Puxa, eu sei que é
difícil começar a escrever isso, penso nessa carta antes mesmo de termos
terminados, sei que uma hora vou me arrepender, quando eu clicar em “Publicar”
pois sei que de alguma maneira vou querer voltar e editar, acrescentar algo,
retirar outro, você sabe... Nunca fico plenamente feliz com o que escrevo, mas
não é só isso, a ideia de te escrever uma última carta é assustadora e
inimaginável. Quando eu estava no cursinho, e não parava de pensar em você (antes
de voltarmos), eu fazia isso o tempo todo, dizendo a respeito do quanto eu te
amava, o quanto sentia sua falta, o quanto te queria... Será que esses
sentimentos diminuíram? Se alguém me perguntar como me sinto à seu respeito não
vou mentir em dizer que “Eu o amo” mas mais pessoas vem me dizendo que não é
assim.
Que não é mais.
Não sei se você vai
um dia chegar a ler essa carta, acho muito difícil que eu te envie o link
considerando o número elevado de crueldades que eu direi, mas se um dia eu o
fazer (ou então você achar ela me stalkeando por aí) então peço que por favor
me perdoe. Não por ter terminado com você ou pelas coisas que dissemos e
fizemos um ao outro durante nosso namoro, mas porque é provável que eu vá te
machucar nas próximas linhas. E eu sinto muito mas eu não me arrependo,
porque tudo que eu falo aqui é verdade.
E é de coração.
Eu sei que poderia
fazer um tipo de linha do tempo à respeito do nosso relacionamento, dos
primeiros contatos em 2009, de como nos tratávamos, do seu nome escrito na
minha agenda e depois de como ficamos tão próximos no MSN, da sua maneira
insana de me tratar, e do seu amor, tão lindo e grande, por mim nesses dois
últimos anos juntos, mas eu não quero fazer isso, não quero relembrar os
momentos ou então fazer disso um tipo de “filme” de memórias, é algo muito mais
simples, eu vou te dizer porque eu desisti.
Eu desisti porque em
algum lugar no meu coração você não foi o bastante. Isso não é sua culpa, é
apenas um fato. Uma pessoa pode ser rica, mas pode não ser rica o bastante para
ter algo, e a culpa não é da pessoa, e sim do item que precisa de outras
coisas, coisas que você não pôde e não pode me dar.
Você é uma pessoa
maravilhosa, eu já te disse isso milhares de vezes, então eu não paro de pensar
que talvez o erro seja eu. Será que sou muito exigente? Possível. Será que eu
só desencanei e quero ter novas experiências? Provável. Eu te disse não é
mesmo? Gosto de mudanças, sou instável, controladora, manipuladora e muitas vezes cruel, mesmo sempre tentando não magoar os outros a certo prazer em fazê-lo só para ter certeza de que você ainda está
ali, de que ainda me ama. E olha só! Você está.
Quando a Pamela veio
aqui meses atrás e eu perguntei a ela porque ela tinha terminado com o garoto
que ela disse ser o amor da vida e ela me respondeu que “Enjoou” eu não
entendi, ri dela, pensei que era superior, porque meu amor por você era tão
grande que não existia esse negócio de enjoar.
Mentira.
Eu enjoei, olha só,
justo eu que tanto julguei. Sei que essa palavra é terrível, da a entender que
você não foi bom o bastante, mas você foi. Você foi ótimo. Só que o ótimo não
me basta mais, eu quero o ruim, eu quero o mediano, eu quero o bom, eu quero o
tudo. E você não pode me oferecer isso, não é sua culpa, eu também não posso
fazê-lo a você. Talvez eu seja apenas alguém muito malvada, talvez eu seja
apenas errada.
Eu te disse, na
ultima vez que veio aqui, que seus braços eram o lugar mais seguro do mundo
para mim. É verdade, ainda é. Não havia nada melhor do que aquilo, seu calor me atingindo, a proteção, o amor, tudo tão tangível que chegava a doer, e eu sinto
perder isso, mas não sinto falta. Quer saber o por quê? Pois é uma ilusão de um
paraíso que não existe. Não há lugar plenamente seguro, e eu não quero que
haja.
Você disse que iria
me reconquistar em nossa última conversa, e eu me senti feliz por saber que
você ainda estaria ali quando eu terminasse minha aventura e me sentisse
solitária, porém, no dia seguinte você me mandou a mensagem que provou que você
é um homem.
Doce.
Amável.
Inteligente.
Adulto.
Doeu. Doeu e tocou
meu coração de uma maneira que jamais você havia feito antes, talvez pelo fato
de não estarmos mais juntos, ou será que eu percebi que perdi algo que jamais
terei novamente? Doeu e aliviou. Obrigada, isso foi importante, denguinho.
Não quero mais
escrever, não só porque tenho outras coisas para fazer, mas porque meu coração
aqui se sela com meus últimos votos da verdade que o abriga. Eu amo você,
sempre amarei, mas não tanto quanto eu amo a mim, e não vou pedir perdão por
isso.
Seja como nossos
caminhos seguirem eu lhe desejo boa sorte, sei que você será feliz, assim como
eu serei.
Não tenho a menor
dúvida disso.
Boa noite meu amor,
meu ex-amor, meu sempre amor. Essa é a ultima carta que escrevo para você, e
não vou assinar como de costume, não há espaço para apelidos e meiguices aqui,
apenas da dura realidade desse coração que nunca foi realmente puro.
Da não mais sua, mas
que deixou um pedaço com você,...
Andrezza.

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