segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

(XIV) ❝É amor até deixar de ser❞

O ano mudou, as coisas mudaram, eu mudei e você também. Faz tanto tempo que adio escrever sobre isso, sobre mim, sobre você e sobre nós. Mais uma vez eu fui capturada em uma armadilha. Você sabe... Eu meio que já sabia isso desde o inicio, lendo meu diário, aquele que escrevi sobre o você o tempo todo... Todo esse futuro estava ali, o tempo todo, meus medos tornando-se reais, um a um, tudo aquilo que eu obriguei a mim mesma ignorar de repente voltava pra mim como uma gigantesca onda. Me devora. Me engole. Me afoga. Onde foi que eu errei? Onde erramos? Eu deveria ter sido menos permissiva, deveria questionar mais, ser menos medrosa, ousar falar o que meu coração sente porque... Você sabe, uma hora eu explodo, e de repente tudo que eu guardei por tanto tempo vem de uma vez só. Então estamos nós dois, separados, você ali e eu aqui pensando “Caramba, acho que estou bem”.
A primeira vez que terminamos eu pensei “Talvez não seja pra sempre” e isso me consumiu e aqueceu, eu achei que poderia dar certo, um dia, no futuro. Mas conforme o tempo passou, eu percebi como é lindo isso, a liberdade, e como eu desejei por tanto tempo, mas eu ainda não estava completa.
Quando voltamos, pra aquela enrascada, esse relacionamento incompleto, triste, pegajoso e assustador, eu soube que cada dia era um pequeno inferno, eu não queria aquilo, eu não te amava mais daquele jeito, minha paixão tinha acabado  junto com suas verdades, e assim eu vi que era apenas uma questão de tempo até nunca mais lhe ter novamente.
Como um sentimento tão grande e poderoso muda assim? Hoje eu estou aqui, sozinha, mas nem tanto e absurdamente feliz. Caraca, sabe de uma coisa? Ta tudo dando certo, aqueles planos que eu te contei, eu estou livre, feliz, com um futuro brilhante à minha frente, e não posso te contar nada disso, porque você se transformou em alguém que eu não quero perto de mim, alguém que eu quero desesperadamente esquecer por se tornar uma vergonha, algo que eu desprezo.
Sou exageradamente cruel né? Esse é o problema da sinceridade, eu nunca te disse que era boazinha, meu coração às vezes é tão afiado quanto o arame que me cerca, pronto para afastar e ferir todos que ousam se arriscar uma aproximação. Mas quer saber? Eu não me importo, nem um pouco, porque agora... Sou só eu, e estou tão bem com isso como nunca estive antes.

Não estou sozinha.
Não estou triste.
E acima de tudo... Não estou mais sufocada por você e pelo medo que me acompanhava.

Te desejo toda a sorte do mundo, eu sei que não preciso disso, porque eu sempre garanti meus passos sozinha, e vou continuar assim. Forte não, egoísta, mas tremendamente orgulhosa disso, acho que no final talvez eu realmente seja tudo de ruim que você blasfema para os outros.


E não vou mudar.